Imagine um profissional de manutenção que, por anos, atuou em um ambiente 100% corretivo.
A rotina era clara: falhou, correu, consertou. A urgência virou padrão. O improviso, virtude. O reconhecimento vinha quando o problema já havia acontecido.
Um dia, esse profissional “acorda” para uma nova realidade: a empresa decide evoluir para um modelo estratégico híbrido, no qual a manutenção preventiva e o planejamento passam a ganhar espaço.
Não há uma transformação física, como na obra A Metamorfose, de Franz Kafka, mas há algo igualmente desafiador: a necessidade de mudar a forma de pensar, agir e se reconhecer no trabalho.
Essa transição não é apenas técnica. Ela exige uma transformação cognitiva, cultural e comportamental. Sair do modo reativo para o modo estratégico não acontece da noite para o dia – e não pode ser exigido apenas das pessoas.
Antes de falar em métodos, indicadores ou ferramentas, é preciso entender o ambiente de manutenção no qual se atua, pois são os sistemas que moldam comportamentos.
A Manutenção Lean começa exatamente aqui: no despertar da consciência. Entender onde estamos é o primeiro passo para evoluir, com respeito às pessoas, aos ativos e ao processo de aprendizagem.
Fazer essa leitura pela lente da manutenção, a partir de uma interpretação livre de A Metamorfose, foi extremamente instigante. Quando a empresa decide “acordar” para a Manutenção Preventiva, o profissional de manutenção precisa mudar sua forma de pensar, agir e se reconhecer no trabalho.
A metamorfose, nesse caso, é sair do reativo para o planejado, do herói do colapso para o guardião da confiabilidade e da ação imediata para a disciplina silenciosa.
Autores: Mara Rejane Fernandes e Moisés Fernandes Dias


