Na manutenção, muitas vezes avaliamos atitudes sem olhar para o contexto que as produz. Mas o comportamento das pessoas não nasce do nada, ele é moldado pelo sistema em que elas trabalham.
O sistema cria o ambiente, e o ambiente estabelece normas, regras, prioridades e expectativas. É ele que ensina, todos os dias, o que é aceitável, o que é tolerado e o que é valorizado.
Em ambientes reativos, onde tudo é urgente, não há base confiável de dados, os padrões mudam ao sabor do vento e o planejamento é constantemente atropelado, o comportamento que surge é previsível: reação, correria, improviso e foco em esperar que as coisas aconteçam para então resolver.
O profissional de manutenção aprende que não adianta planejar, porque a produção vai mudar tudo.
O planejador aprende que não adianta detalhar, porque ninguém segue.
O líder aprende que apagar incêndio dá mais reconhecimento do que prevenir.
Isso não é falta de comprometimento.
É adaptação ao sistema em que se atua.
Quando o ambiente muda, com mais organização, segurança, padrões claros, dados confiáveis, rotinas de planejamento e espaço para diálogo, o comportamento também muda.
As pessoas passam a planejar porque o plano é respeitado.
Passam a seguir padrões porque eles são sustentados.
Passam a melhorar porque há tempo, método e apoio.
Não porque “decidiram ser diferentes”, mas porque o sistema passou a ensinar algo diferente e melhor para desenvolver o seu trabalho.
É por isso que o sistema ensina mais do que qualquer treinamento. As pessoas aprendem, todos os dias, aquilo que o ambiente reforça, tanto pelo que ele mostra quanto pelo que ele permite.
Antes de cobrar comportamento, vale a reflexão:
que tipo de ambiente estamos criando na manutenção?
Autores: Mara Rejane Fernandes e Moisés Fernandes Dias


