Manutenção Preventiva: quais são os pontos-chave para gerar confiabilidade?

A manutenção preventiva consiste na realização de intervenções planejadas e sistemáticas, executadas em intervalos previamente definidos, com o objetivo de reduzir falhas, aumentar a confiabilidade dos ativos e garantir a continuidade operacional.

Também, envolve tarefas sistemáticas de inspeção, reforma e troca de peças que são definidas a partir das informações do arquivo técnico e análise do histórico dos equipamentos, contribuem para a redução das falhas e aumento de desempenho

Os elementos fundamentais da Manutenção Preventiva são:

1. Planos de Manutenção Preventiva

Elaborar os Planos de Manutenção Preventiva para os equipamentos e descrever as atividades, o método, a especialidade, o tempo, as peças sobressalentes, o ferramental, a periodicidade, entre outras informações pertinentes.

Passos importantes:

  • Mapeamento dos equipamentos (marca, modelo, especificações, localização);
  • Identificação dos equipamentos críticos;
  • Definição dos principais conjuntos e componentes;
  • Definição das atividades preventivas para cada tipo de componente, considerando seus modos e mecanismos de falha.
  • Definição das frequências e o tempo estimado para as atividades;
  • Levantamento da lista de peças sobressalentes e ferramentas necessárias;
  • Criação de procedimentos de segurança e bloqueio.

Base para elaboração:

  • Histórico de intervenções e modos de falhas em ativos similares;
  • Lista de atividades sugeridas pelo fabricante;
  • Experiência dos técnicos de manutenção;
  • Assistência técnica e especialistas;
  • Análise de falhas em ativos similares.

Informações necessárias

  • Componente e atividade;
  • Método de trabalho;
  • Ferramentas e Equipamentos;
  • Frequência e tempo necessário;
  • Responsável;
  • Ilustração (foto/marcadores).

2. Cronograma Anual de Manutenção Preventiva e Estratégia de Liberação dos Equipamentos

Definir o Cronograma Anual de Manutenção Preventiva e estabelecer a estratégia de liberação dos equipamentos junto ao PCP e Operação.

Cronograma Anual:

O cronograma anual de manutenção preventiva é  um planejamento organizado das atividades de manutenção que devem ser realizadas ao longo do ano para garantir que máquinas, equipamentos e instalações funcionem de forma eficiente, segura e com o mínimo de paradas não planejadas.

A principal vantagem desse cronograma é antecipar problemas e evitar falhas inesperadas, o que ajuda a reduzir custos, aumentar a confiabilidade dos ativos e manter a produção estável. Inclui:

  • O que será mantido (equipamentos e sistemas);
  • Quando será feito (datas ou periodicidade – semanal, mensal, trimestral etc.);
  • Quem será responsável (equipe interna ou terceiros);
  • Quais atividades serão executadas (limpeza, lubrificação, inspeções, troca de peças, calibração etc.);
  • Tempo estimado de parada, se necessário;
  • Recursos necessários (peças, ferramentas, manuais).

Estratégia de Liberação dos Equipamentos

É o conjunto de procedimentos e critérios que uma empresa adota para autorizar o uso ou retorno à operação de um equipamento, seja após uma manutenção, uma instalação nova ou uma parada técnica.

Tem como objetivo garantir que o equipamento esteja seguro, funcional e em conformidade com os padrões técnicos e legais antes de ser liberado para uso.

O processo costuma seguir algumas etapas, como:

  • Execução da Manutenção ou Intervenção Técnica: Pode ser preventiva, corretiva ou de melhoria.
  • Inspeção Final / Checklist Técnico: Verifica se todas as atividades planejadas foram concluídas; Confirma integridade mecânica, elétrica e operacional do equipamento.
  • Testes de Funcionamento: Simulações ou testes reais para validar o desempenho seguro.
  • Assinatura de Responsáveis: Técnicos e engenheiros assinam o termo de liberação ou ordem de serviço.
  • Liberação Formal / Documentação: Pode envolver documentos como: LOTO (Lockout-Tagout) encerrado, permite de trabalho finalizado, termo de liberação operacional, entre outros.
  • Comunicação à Produção: A produção ou operação é informada de que o equipamento está liberado para uso.

Por que a  Liberação dos equipamentos é importante ?  

  • Evita acidentes e falhas;
  • Garante conformidade com normas (NR-12, NR-10, ISO 55000 etc.);
  • Reduz retrabalho e paradas inesperadas;
  • Dá rastreabilidade às ações de manutenção;

3. Registros de execução da manutenção preventiva e Plano de Contingência

Registros de execução

São documentos formais ou digitais que comprovam que uma atividade de manutenção preventiva foi realizada conforme o planejado. Eles servem para documentar o que foi feito, quem fez, quando foi feito, quais recursos foram usados e qual foi o resultado da intervenção.

O que normalmente consta nesses registros?

  • Data e hora da execução;
  • Identificação do equipamento (nome, código, localização);
  • Tipo de manutenção (ex: lubrificação, inspeção, troca de peças);
  • Descrição do serviço executado;
  • Nome do técnico responsável;
  • Peças e materiais utilizados;
  • Observações ou anomalias encontradas;
  • Assinatura ou validação digital;
  • Status final: liberado, pendente, precisa de ação corretiva etc.

Por que os Registros de Execução da Manutenção Preventiva são importantes?

  • Garantem rastreabilidade das ações de manutenção.
  • Ajudam na tomada de decisão baseada em histórico.
  • Facilitam auditorias internas e externas.
  • Ajudam a comprovar conformidade legal e técnica.
  • Suportam melhorias contínuas no plano de manutenção.

Muitas empresas usam sistemas CMMS (software de gestão de manutenção) para registrar essas execuções de forma mais eficiente e digital.

Plano de Contingência

É um plano de ação estruturado criado para responder rapidamente a situações imprevistas que possam comprometer a operação, como:

  • Falhas de equipamentos;
  • Atrasos na manutenção preventiva;
  • Falta de peças ou recursos.

Na manutenção preventiva é um conjunto de medidas alternativas para garantir que a operação continue segura e funcional, mesmo quando o plano preventivo falha, atrasa ou não pode ser executado conforme previsto.

Por que ter um Plano de Contingência?

  • Evita paradas inesperadas e custos maiores.
  • Garante a continuidade operacional.
  • Protege a segurança dos colaboradores.
  • Dá resposta rápida e organizada diante de falhas no planejamento.

Exemplos práticos de Plano de Contingência na Manutenção

  • Equipamento crítico não pode parar? – Aciona-se um equipamento reserva (stand-by).
  • Peça sobressalente não chegou a tempo? – Usa-se uma peça remanufaturada ou aplica-se uma manutenção corretiva controlada e segura, enquanto a preventiva fica pendente.
  • Equipe técnica indisponível? – Aciona-se terceirização emergencial ou redistribuição da equipe interna.
  • Manutenção não foi feita no prazo? – Ativa-se uma inspeção mais frequente e rigorosa até que a preventiva seja realizada.

Embora a manutenção preventiva seja fundamental para aumentar a confiabilidade e reduzir falhas, sua aplicação deve considerar a criticidade, o comportamento funcional e o histórico dos ativos.

Intervenções excessivas ou mal definidas podem gerar custos desnecessários e até introduzir novas falhas ao processo.

Mais do que executar atividades programadas, a manutenção preventiva deve contribuir para a confiabilidade, segurança e sustentabilidade operacional das organizações.

Dicas Gênesis para o Gestor:

Fazer preventiva não significa necessariamente gerar valor.

Uma manutenção preventiva só faz sentido quando contribui para aumentar a confiabilidade, reduzir riscos e melhorar a performance operacional.

Preventivas excessivas, mal planejadas ou desconectadas da realidade dos ativos podem gerar desperdícios, retrabalho e até novas falhas.

Algumas reflexões práticas para o dia a dia da gestão:

  • Nem todo equipamento precisa da mesma frequência de preventiva. A criticidade deve orientar prioridades.
  • Preventiva sem registro confiável perde valor histórico e dificulta a tomada de decisão.
  • Trocar componentes sem necessidade pode aumentar falhas induzidas pela intervenção.
  • Preventiva eficiente exige integração entre manutenção, operação e planejamento.
  • A qualidade da inspeção muitas vezes é mais importante do que a quantidade de atividades executadas.
  • Planos preventivos precisam evoluir com o histórico dos equipamentos e não permanecer “engessados”.

O objetivo da preventiva não é apenas cumprir cronograma, mas garantir disponibilidade, segurança e confiabilidade operacional.

Autora: Mara Rejane Fernandes

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