Quais são os requisitos da Mantenabilidade?

O Objetivo da Mantenabilidade é otimizar o diagnóstico e a execução das atividades operacionais da manutenção com custo adequado e garantia da qualidade da intervenção.

Antes de conhecer os requisitos da mantenabilidade, é importante compreender seu conceito.

Mantenabilidade

É uma característica do projeto que influencia a facilidade de execução da manutenção, os tempos de intervenção, os custos envolvidos e a capacidade do item de continuar desempenhando suas funções requeridas.Engloba:

  • Definir a disponibilidade necessária para ser competitivo.
  • Otimizar os tempos e custos de manutenção já no projeto.
  • Definir os recursos requeridos para  execução da manutenção.

Para melhorar a Mantenabilidade é fundamental foco nas atividades  capazes de reduzir o tempo de intervenção de manutenção. Por isso, é necessário:

  • Aprimoramento do diagnóstico de falhas e da execução da intervenção
  • Fortalecimento da organização dos postos de trabalho e conservação dos equipamentos
  • Otimização da gestão das peças sobressalentes, ferramental e arquivo técnico.

Segundo a ABNT NBR 5462 – Confiabilidade e Mantenabilidade, o conceito de mantenabilidade é

“Capacidade de um item ser mantido ou recolocado em condições de executar suas funções requeridas, sob condições de uso especificadas, quando a manutenção é executada sob condições determinadas e mediante procedimentos e meios prescritos. Nota: O termo “mantenabilidade” é usado como uma medida do desempenho de mantenabilidade.”

Outro fator importante será realizar estudo do tempo de manutenção, que se refere ao intervalo de tempo durante o qual é executada uma ação de manutenção em um item, manual ou automaticamente, incluindo os atrasos técnicos e logísticos.

Ao analisar o tempo de manutenção, é importante mapear as atividades que agregam valor, aquelas que não agregam e os desperdícios existentes, para que possam ser eliminados.

Lembrando que o valor agregado é determinado pela percepção do cliente. Sob a ótica da operação, por exemplo, o maior valor está relacionado ao retorno do equipamento à sua condição de funcionamento. Entretanto, os tempos de preparação e de teste também são fundamentais para garantir a qualidade e a segurança da intervenção.

Os desperdícios quase sempre estão relacionados a falta de preparação para execução do serviço, como por exemplo: tempo de espera para liberação do equipamento, falta de peças e ferramentas adequadas, etc…

Embora a mantenabilidade seja frequentemente associada ao projeto dos equipamentos, seu desempenho na prática depende de diversos elementos organizacionais, técnicos e gerenciais que sustentam a execução da manutenção.

Os Requisitos de Mantenabilidade são:

1.     INFRAESTRUTURA DA OFICINA

Se refere a todos os elementos físicos, técnicos e organizacionais que permitem o funcionamento e a execução de serviços de manutenção.

Inclui desde a estrutura da oficina e seus equipamentos, até ferramentas, materiais e sistemas de gestão.  É fundamental para a eficiência, segurança e qualidade dos serviços oferecidos pela oficina.

Uma boa infraestrutura contribui para a eficiência da oficina, a redução de custos e a satisfação dos clientes.

A infraestrutura da oficina de manutenção deve garantir que atenda as demandas dos serviços da organização com layout que favoreça o dinamismo no trabalho e a ergonomia dos profissionais.

Por isso, a localização da oficina de manutenção precisa ser estratégica, visando atendimento ágil e definindo regra para restrição de acesso na entrada da oficina, ou seja, acesso somente de pessoas autorizadas.

Outro aspecto importante é estabelecer o processo de padronização, organização e limpeza da oficina de manutenção.

2.     FERRAMENTAL E EQUIPAMENTOS

É vital para o cumprimento dos serviços com qualidade, segurança, agilidade e redução dos riscos.

Para tanto, será necessário avaliar a característica dos serviços prestados pela manutenção a fim de identificar quais recursos devem estar disponíveis para a equipe técnica, garantindo que as ferramentas e os equipamentos estejam em bom estado, organizados e adequados para o trabalho a ser realizado.

Recomenda-se a realização de auditorias e inspeções regulares a fim de verificar o estado dos das ferramentas e dos equipamentos, identificar possíveis danos ou desgaste e garantir que tudo esteja em conformidade com os padrões de segurança.

Adequar o ferramental e equipamentos é vital para o cumprimento dos serviços com qualidade, segurança e agilidade.

Por isso, devemos avaliar a característica dos serviços prestados pela manutenção, assim conseguiremos identificar quais recursos devem estar disponíveis para a equipe técnica.

  • Ferramental individual e coletivo adequado: Garantir o ferramental individual e coletivo adequado para realização dos serviços de manutenção.
  • Inventário do ferramental: Estabelecer inventário cíclico (rotativo) das ferramentas individuais e coletivas.
  • Máquinas utilizadas na oficina de manutenção: Garantir que as máquinas utilizadas na oficina de manutenção estejam em condições adequadas de uso e de segurança.
  • Programa de revisão e avaliação periódica: Estabelecer programa de revisão e avaliação periódica das máquinas operatrizes, máquinas de solda, bancadas de teste, entre outras.

3.     ARQUIVO TÉCNICO

O arquivo técnico é a memória da manutenção e preservar esse conhecimento é garantir agilidade, segurança e qualidade nas intervenções.

É onde se guarda o “histórico vital” dos equipamentos, com tudo o que for relevante para sua instalação, operação, inspeção, manutenção, modificação ou desativação.

Considerado o repositório físico ou digital de documentos técnicos que registram, padronizam e preservam o conhecimento sobre os ativos industriais, sendo essencial para a execução segura, eficaz e rastreável das atividades de manutenção.

Arquivo técnico não é papel – é estratégia, rastreabilidade e suporte à confiabilidade dos ativos.

É fundamental organizar os manuais, desenhos e demais documentos técnicos relacionados aos equipamentos, tudo isso, com a intenção de agilizar a busca por informações importantes para uma intervenção ou outra ação necessária.

  • Padronização: padronizar, organizar e manter atualizado o arquivo técnico de modo a agilizar a localização das informações.
  • Documentação Técnica:       Garantir que a documentação técnica dos equipamentos seja composta pelos manuais, desenhos, diagramas, lista de peças sobressalentes e catálogos (versão física e digitalizada).
  • Acesso para Consulta: Estabelecer as condições necessárias para que a equipe técnica de manutenção tenha acesso ágil e fácil ao arquivo técnico a fim de consultar as informações dos equipamentos e instalações.
  • Acompanhamento do Ciclo de Vida do Equipamento: Organizar pasta ou controle informatizado para os registros pertinentes ao acompanhamento do ciclo de vida do equipamento.

4.     CADASTRAMENTO DOS ATIVOS

É necessário para o gerenciamento do ciclo de vida dos ativos e indicado criar uma identificação para cada equipamento e dividir a nível de conjunto, componentes e peças.

Envolve a coleta e organização de informações detalhadas sobre cada equipamento, facilitando o controle de manutenção, a gestão de recursos e o acompanhamento do seu desempenho.

Antes de iniciar o cadastramento de equipamentos é importante considerar a criticidade do equipamento, uma vez que esse trabalho exigirá dedicação e tempo.

É importante destacar que o correto cadastro dos equipamentos será a base para estratificação das informações pertinentes para pesquisas e análises futuras.

É muito importante criar uma identificação para cada equipamento e organizar todas as informações relevantes para que fiquem em um único lugar, assim, facilita as pesquisas e análises futuras.

  • Cadastro dos equipamentos no CMMS : Padronizar a descrição e codificação dos equipamentos para facilitar a identificação.
  • Cadastro de informações pertinentes do equipamento para análises futuras: Incluir no cadastro do equipamento as informações pertinentes para análises futuras, tais como: data de instalação, tempo de operação, fabricante, capacidade nominal, valor de aquisição (investimento), entre outras.
  • Documentação Técnica: Vincular ao cadastramento dos equipamentos (CMMS e/ou servidor corporativo) a Documentação Técnica (Manuais, Diagramas, Desenhos, entre outros).

Para Cadastro dos Ativos é fundamental saber:

  • Quando e por quem este foi instalado;
  • Quanto tempo está em operação;
  • Quem fabricou;
  • Onde estão os seus desenhos técnicos e os manuais;
  • Quais são as peças que compõem o equipamento;
  • Qual é a produção nominal para a qual o equipamento foi projetado;
  • E, todas informações pertinentes para análise futura.

5.     SOFTWARE DE GERENCIAMENTO

Utilizar um sistema de gerenciamento da manutenção computadorizado é imprescindível para fazer um gerenciamento orientado pelos resultados.

Desta forma, as decisões são fundamentadas em informações confiáveis o que aumenta sua assertividade.
  • CMMS atende aos requisitos para gerenciamento das atividades da manutenção: Certificar-se de que o CMMS atende aos requisitos de gerenciamento das atividades da manutenção, tais como, planejamento, programação, inspeções, solicitações, manutenção corretiva e planejada, registro de execução, controle, análise e melhoria.
  • Conhecimento e domínio das funcionalidades do CMMS: Desenvolver os usuários envolvidos no processo de manutenção e partes interessadas no CMMS para que tenham pleno conhecimento e domínio das funcionalidades.
  • Integração CMMS aos outros sistemas da organização: Integrar o CMMS aos outros sistemas da organização, tais como: gerenciamento de materiais, planejamento da produção, gerenciamento de pessoas, entre outros.

6.     ORDEM DE SERVIÇO

É o principal documento da manutenção, pois serve de base para toda a gestão da manutenção de excelência.

Pois, auxilia na priorização das atividades da manutenção, no controle da execução dos serviços e serve de base para a definição de boa parte dos indicadores de performance da manutenção.

E, fortalecer a ordem de serviço é imprescindível para otimizar o fluxo de informação ao longo do processo de manutenção.

A manutenção deve criar uma sistemática efetiva para a ordem de serviço.

Gerenciar muito bem a ordem de serviço, desde sua abertura, para todos os serviços, passando pelo seu preenchimento correto até chegar na análise e tomada de decisão baseada nas informações registradas na mesma.

Histórico Confiável: garantir que os registros das ordens sejam adequados, ou seja, contenham as informações pertinentes para criação de um histórico confiável.

Ordens de serviço: garantir que as ordens sejam abertas para todos os serviços executados pela manutenção e que as informações referentes as intervenções sejam registradas em tempo real no CMMS.

Validação da entrega do serviço: estabelecer uma etapa para verificação da condição, testes e acompanhamento do equipamento antes da entrega do serviço para o solicitante.

7.     GESTÃO DE MATERIAIS E SOBRESSALENTES

É estratégica na manutenção, pois, garante que os materiais, peças e insumos certos estejam disponíveis, no momento certo, pelo menor custo possível, para manter a operação dos ativos com confiabilidade e eficiência.

Envolve o planejamento, controle e organização dos recursos físicos (como rolamentos, correias, motores, sensores etc.) que a manutenção precisa para fazer reparos, inspeções e substituições sem atrasos.

Importante porque se uma máquina parar por falta de uma peça, o prejuízo pode ser enorme: perda de produção, atrasos, horas extras, insatisfação do cliente. Por outro lado, estoque em excesso também é ruim: ocupa espaço, imobiliza capital e pode até vencer ou obsoletar.

Uma gestão de materiais e peças sobressalentes eficaz contribui para redução de paradas não planejadas; menores custos operacionais; maior confiabilidade dos ativos; melhor planejamento das manutenções; otimização do capital investido em estoque.

Fazer o gerenciamento de materiais e peças sobressalentes é uma grande oportunidade para reduzir o tempo e o custo da intervenção, uma vez que seja feito com precisão o mapeamento das necessidades de consumo através da análise dos históricos dos equipamentos e planos de manutenção planejada

  • Mapeamento e cadastro de peças sobressalentes: Definir as peças sobressalentes necessárias por equipamento. Cadastrar as peças e indexar ao equipamento por partnumber ou código de catalogação.
  • Método de Reposição: Estabelecer método para reposição das peças sobressalentes e a identificação por estocável e não-estocável.
  • Controle Visual e Rastreabilidade: Estabelecer sistemática de controle visual e rastreabilidade das peças sobressalentes aplicadas nos equipamentos e/ou instalações.
  • Acondicionamento e condição de uso dos materiais: Garantir correto acondicionamento dos materiais no almoxarifado para que estejam em condição de uso.
  • Inventário: Estabelecer sistemática de inventário cíclico (rotativo) para contagem do estoque de manutenção.
  • Peças Estratégicas: Garantir que as peças estratégicas estejam dispostas em local próximo ao equipamento.

8.     INDICADORES DE PERFORMANCE DE MANUTENÇÃO

Acompanhar a evolução dos indicadores de performance é necessário para saber se estamos no caminho certo. Caso as metas não estejam sendo alcançadas, fazer uma análise crítica dos resultados e propor ações de melhoria. Os indicadores de mantenabilidade acompanham a evolução dos indicadores de MTTR, MDT e Backlog.

  • Indicador de MTTR – tempo médio para reparo: Definir sistemática de análise do Indicador de MTTR – Tempo médio para reparo e estabelecer ações de melhoria.
  • Indicador de MDT – tempo médio de parada: Definir sistemática de análise do Indicador de MDT – Tempo médio de parada e estabelecer ações de melhoria.
  • Indicador de BACKLOG – carga de serviço pendente: Definir sistemática de análise do Indicador de Backlog – Carga de serviço pendente e estabelecer ações de melhoria.

Os resultados que se projetam para a mantenabilidade são:

  • Implementação da infraestrutura operacional da manutenção.
  • Atribuição de responsabilidades e implementação de rotinas de manutenção.
  • Criação de um histórico de manutenção confiável e acessível.

Mais do que reduzir o tempo de intervenção, a mantenabilidade busca criar condições para que a manutenção seja executada de forma segura, eficiente, previsível e com qualidade.

Quando infraestrutura, ferramental, documentação técnica, cadastro dos ativos, sistemas de gestão, ordens de serviço, materiais e indicadores trabalham de forma integrada, a organização reduz desperdícios, fortalece a confiabilidade dos ativos e aumenta sua capacidade de gerar resultados sustentáveis.

Por isso, desenvolver a mantenabilidade não é apenas uma questão técnica, mas uma decisão estratégica para aumentar a disponibilidade dos ativos, melhorar a produtividade e fortalecer a competitividade da organização.

Dicas Gênesis para o Gestor:

A mantenabilidade não é construída apenas durante o projeto dos equipamentos. Ela é desenvolvida diariamente por meio da organização dos processos, da qualidade das informações, da disponibilidade dos recursos e da disciplina na execução das atividades de manutenção.

Quanto maior a mantenabilidade, menor o tempo perdido procurando informações, aguardando materiais, deslocando recursos ou corrigindo falhas de planejamento. E quanto menor o desperdício, maior a capacidade da manutenção de gerar valor para a operação e para o negócio.

Investir em mantenabilidade é investir em agilidade, confiabilidade e resultados.

Organização das Informações: Mara Rejane Fernandes

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